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12/6/2013

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LETRAS LIVRO FERNANDO PESSOA & OFÉLIA QUEIROZ REÚNE A CORRESPONDÊNCIA AMOROSA DO POETA COM UMA COLEGA DE ESCRITÓRIO 3

POLÊMICA ARTISTAS NEGROS BAIANOS REAGEM CONTRA SUSPENSÃO DE EDITAIS 3


VERENA PARANHOS

Saber esperar costumava ser uma das virtudes de um escritor, que aguardava até mesmo por anos a resposta de editores em relação aos originais enviados de um livro.
No mundo dos livros digitais, e-books, o autor não precisa es- perar. Pode arregaçar as man- gas e se encarregar de todas as etapas de edição, publicação e divulgação de uma obra, por meio da autopublicação (self-publishing, em inglês).
Seguindo a linha das gigantes do mercado norte-americano iBookstore e Amazon (também presentes no Brasil) e de edi- toras nacionais menores, a Sa- raiva lançou o publique-se!, sua plataforma gratuita de autoe- dição e publicação.
A iniciativa mostra que a com- panhia está de olho no mercado nacional de e-books. No primei- ro trimestre de 2013, a livraria vendeu 61,7 mil títulos digitais, número que representa um cres- cimento de 83% no volume de vendas de e-books em relação ao mesmo período de 2012.
Marcilio Pousada, diretor pre- sidente da Saraiva, minimiza a importância deste aspecto. “O publique-se! não é um projeto baseado em números ou esta- tísticas. A plataforma está ba- seada no fato de que a partir da autopublicação podem surgir grandes escritores”.

Cego em tiroteio

Apesar de a missão de um autor
que se autopublica em chamar a atenção dos leitores e de edi- toras parecer tão difícil quanto a situação de um cego em tiroteio, ela não é impossível.
Nos Estados Unidos, onde os e-books representam 25% do to- tal de livros vendidos, a auto- publicação foi responsável pela revelação do best seller Cinquen- ta Tons de Cinza, de E.L. James.
Quem se aventura por esse terreno, entre outras coisas, tem que fazer escolhas como preço da obra, países onde vai ser ven- dida e estratégias de marketing e comunicação.
Antes de se autopublicar na Amazon, Marcelo Antinori, bra- sileiro que vive em Washington há 23 anos, não teve dúvidas sobre a contratação de um as- sessor editorial, uma revisora e serviços de terceiros para ati- vidades de promoção.
“Quero que meus livros te- nham uma qualidade de texto igual à das melhores editoras. Hoje dedico um terço do tempo a escrever, um terço a ler outros autores e um terço à promoção do meu trabalho”, afirma o au- tor de títulos em inglês, espa- nhol e português, que são ven- didos por menos de R$ 10.
Com a experiência de livros impressos publicados, o baiano Lula Miranda optou por lançar, com o auxílio de uma editora independente, pela primeira vez na Amazon um livro digital de poemas, A Dor Essencial . “Existe uma profissionalização do mercado editorial que não tolera amadorismos”.
Mesmo sendo entusiasta do mercado digital, Lula Miranda (48) confessa que não possui celular, tablet, nem conseguiu comprar seu próprio livro na Amazon. “Os mais velhos têm dificuldade com a tecnologia, os jovens fazem em 5 minutos”.

Papel do editor

Para Mansur Bassit, diretor-exe-
cutivo da Câmara Brasileira do Livro (CBL), o papel do editor vai sempre existir. “A autopublica- ção mostra que tem muita coisa boa e muita coisa ruim a ser dita. Será que o leitor está disposto a passar por dez livros ruins para ter uma boa experiência?”, questiona Bassit.
Sergio Herz, diretor da Livra- ria Cultura, concorda que a au- topublicação cria um entrave pa- ra o leitor. “É uma oportunidade

Seguindo a linha das gigantes do mercado

norte-americano iBookstore e Amazon e de editoras nacionais, a Saraiva lançou

o publique-se!

para o autor, mas, dependendo do número de títulos, pode ser uma questão de dificuldade, porque é duro para o consu- midor avaliar isso”.
A pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, en- comendada pela CBL à Funda- ção Instituto de Pesquisa Eco- nômica (Fipe), baseada em da- dos de 2011, mostrou um mer- cado ainda muito incipiente, re- gistrando apenas 5.235 livros digitais vendidos no País.
A organização discute o ce-
nário nacional nesta quinta e sexta-feira, no Centro Fecomér- cio de Eventos, em São Paulo, no

4º Congresso Internacional CBL

do Livro Digital.

Embora não tenha números concretos, a CBL acredita que houve um grande crescimento no mercado no ano passado.
“O digital está crescendo ex- ponencialmente e puxando a venda de impressos, atingindo o público que já tem a leitura co- mo hábito”, diz Mansur Bassit.
Para Ricardo Garrido, diretor

E-BOOK Sites especializados permitem que qualquer um produza sem custos todas as etapas de um livro digital


de operações do Iba, loja de conteúdo digital, a lenta entra- da de e-books no País é coisa do passado. “Começou a crescer quando editoras passaram a lançar e-books simultaneamen- te aos impressos e com o au- mento do número de tablets”.
De acordo com pesquisa da consultoria IDC, o Brasil vendeu
3,1 milhões de tablets em 2012, um crescimento de 171% em comparação ao ano anterior, quando foram comercializadas
1,1 milhão de unidades.